domingo, 4 de outubro de 2015

domingo, 2 de fevereiro de 2014




Criei um silêncio feito muro. 
Escrever não podia transpô-lo ou ultrapassá-lo a galope, 
nem mesmo escondido na escuridão.


As palavras, todas elas, 

empilhadas,
são mais silêncio do que murmúrio.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

sábado, 13 de julho de 2013

ad absurdum



há carne bastante
na minha loucura
para ser apelidada
                                                 delírio.



domingo, 16 de junho de 2013


é sereno cá dentro.
que essa claridade do mundo
abisma meu olho a não ver.


terça-feira, 24 de abril de 2012

Se tentasse ler



em voz alta, tão logo a rouquidão se achasse, o silêncio se alastraria ao longo de decênios e mesmo aí não estaríamos no fim.
Não posso te dizer.
Que essas palavras todas gastas, presas na boca de tanto uso, são mais mudas quando ditas que quando caladas, porque não são o que é, não são o que sou. E não posso me dizer.

Cá estou, mas não da maneira como tu esperas encontrar.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

m.,



do que é que o tempo
se atenta a dizer às
coisas da vida.
sabe-se mais, e há pouco
sabe-se nada.
Mas, se é verdade, creio,
os instantes passam
e nem tudo que envelhece
ganha idade,
há o que renasça.




domingo, 12 de fevereiro de 2012

meus papéis


grudados na janela

escorrendo a chuva por detrás do vidro
fazem zig-traço-zag


todos os verbos choram andorinhas



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Esse tom



sóbrio
para dizer a insanidade
tento encontrar,
mas as formas, todas elas
não se dão
perdidas, barulhentas
são


portas emperradas
que meus lábios
se recusam a mover


estou a calar
para que enxergue:
a tantos passos da mudez,
infinitamente
grito


me abra.

Estou



farta do real.


a verdade é um eufemismo de tolos
escrito com marasmo e incerteza.







segunda-feira, 10 de outubro de 2011

sentença





a mim já bastava um olhar adaga,
que memória também é jeito de perfurar os tempos.
mas tu me cais a íris, abrindo distância dos meus pés
e já não te sei dizer os ais.



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Querido amigo,





sou uma fotografia envelhecendo.
certas vezes sinto que estou parada no tempo,
outras, percebo os vários tempos parando em mim.
minha tentativa de controlar o instante
[um par de semibreves
que a chuva faz quando anuncia que não vai mais cair]
é o bolor das horas seguintes.
essas pernas que me andam
enferrujam o presente.
finjo marcar caminhos,
mas em verdade espero
que os caminhos me marquem.



domingo, 17 de abril de 2011

Eis que

os poetas também mudam de casa.
quando se cansam
de riscar o chão e descortinar o céu,
passam a desabreviar o calor
em tantos graus que se consiga transitar
entre o elo perdido
do tesouro e o nada.